Confesso que já fiz tudo 
para não perder meu marido

Ao Centro Redentor

Não é a primeira vez que escrevemos, pois minha sogra escreveu a meu respeito. Hoje resolvi eu mesma escrever. Talvez pensem que esteja louca, mas pouco falta, pois meu problema é sério.Tenho trinta e dois anos e onze de casada. Não tenho filhos, por vontade de Deus. Até a pouco tempo vivia em paz no lar; depois meu marido começou a se afastar aos poucos de casa e perdemos tudo que tínhamos, pois ele não ligava mais para o seu trabalho.

Sempre chegou tarde em casa, mas tive paciência. Porém, quando acordei, vi que tinha outra mulher e filho. Ficou desempregado dois meses e depois arranjou trabalho por mais dois. Nunca vi seu ordenado. Só vinha em casa para comer e tomar banho, inclusive aos sábados e domingos. Teve a coragem de levar-me à casa dessa mulher e apresentar-me o filho de quatro meses. Não acreditava no que via, pois meu marido sempre foi bom, sem luxos. Pensei até em matar-me. Que valor teria a vida para mim sem ele? Minha fé é grande e sei que tudo é uma prova de Deus, pela qual minha alma tem que passar. Meus familiares sabem do ocorrido e querem que o largue, dizendo que me darão de tudo, mas penso: até quando? Apesar disso, amo meu marido e não vivo sem ele. Já não tenho lágrimas para chorar. Fiquei quatorze dias internada em sanatório, pois até os médicos tinham receio de que, se ficasse só em casa, cometeria uma loucura.

Há quinze dias viemos morar em ..., numa fazenda do irmão dele; estou levando a pior vida que uma mulher da cidade, com estudo e possibilidade de arrumar emprego decente, pode levar. Todos me chamam de "Amélia", pois não é possível uma mulher agüentar tudo isto em onze anos de casada e ainda gostar do marido. Mas tenho paciência e esperança de que um dia ainda teremos um filho nosso. Temos passado os dias juntos, só que ele não é mais o mesmo, pois anda triste e quieto (sei que é saudade). Ele quer que vá para ..., mas sei que é para ver a tal mulher. Tenho receio de que ele a traga para cá; aí só me restará a separação. A casa é um barraco. Meu marido não me dá amor, carinho, zelo, e não aceita os meus. Vim com a esperança de que tudo aquilo acabasse, pois ele brigou com minha família.

Já perguntei se gosta de mim, mas tem sempre uma desculpa e não quer falar no assunto. Não sei o que fazer. Confesso que já fiz de tudo e não quero perdê-lo, pois sei que morrerei sem ele. Não vivo sem ele. Peço ajuda, se possível que me respondam logo. Tenho medo de que algo me aconteça, pois sou uma boba: se hoje canto e sorrio, amanhã choro. Por favor, me ajudem. Estou com a cabeça confusa, tudo parecendo um pesadelo. Estou na beira do abismo e posso cair.


Uma criatura serena é sempre agradável

Prezada Senhora,

Pela leitura da sua carta sem data, pudemos, sem dificuldade, sentir o seu estado de alma.
O astral inferior deve sentir-se à vontade em seu lar, tão grande é o apoio que encontra na senhora e seu esposo.

Permita-nos dizer-lhe que a senhora é a grande culpada por tudo que está acontecendo. Um homem não se pode sentir feliz ao lado de uma mulher descontrolada, que vive a queixar-se da vida, do marido e de tudo mais.

Se a senhora supõe que alimentando esse estado de alma modificará o seu esposo, no que ele tem de errado, como se engana! A política a adotar deverá ser completamente diferente.

Lembra-se de como se preparava, com a fisionomia alegre e feliz, para recebê-lo, quando foi sua namorada e depois noiva?

Recorda-se de como cuidava do seu aspecto para tornar-se atraente aos olhos dele? Manifesta por seu marido o mesmo carinho? Dispensa-lhe a mesma atenção, o mesmo interesse pelo seu bem-estar e felicidade?

Não. E mais: o ambiente de nervosismo torna o lar desagradável, com uma atmosfera irrespirável dentro dele. Que ambiente pode ser tolerável, quando nele impera a ação insidiosa do astral inferior, que instiga as animosidades, e perturba cada vez mais os cônjuges, atirando um contra o outro?

Se a senhora pretende recompor o lar, mude de procedimento. Não é com revolta e desespero que se vencem as batalhas da vida, mas com espírito de renúncia, com coragem, valor, paciência, reflexão e pensamento de confiança na vitória.
Uma criatura serena é agradável sempre. Uma agitada, nervosa, descontrolada, faz com que ninguém se sinta bem ao seu lado.

Além disso, há o aspecto espiritual: o Astral Superior jamais poderá se aproximar de criaturas descontroladas e deprimidas espiritualmente; essas atraem o astral inferior, que acabará por levá-las à obsessão, quando não reagem e se entregam a pensamentos doentios.

Procure entender-se com o seu esposo. Convide-o a estudarem ambos os livros Cartas doutrinárias, Racionalismo Cristão (que deve estar sempre na mesa de cabeceira para leitura e consulta diária), A vida fora da matéria e Cartas oportunas sobre espiritismo, para se firmarem em seus ensinamentos e construírem um lar feliz. Irradie sempre pensamentos bons, a fim de repelir a má assistência espiritual do seu lar e atrair a do Astral Superior. E vá submeter-se, sem perda de tempo, a um exame ginecológico, para tratamento. Como o seu marido não é estéril, o fato de a senhora não conceber deve ser devido a um desvio doútero ou obstrução de trompas, facilmente corrigível pela cirurgia sem qualquer problema.

Comece uma nova vida com o seu marido. Não lhe toque mais no passado. Procure viver o presente com inteligência, para construir um futuro feliz.

Faça a limpeza psíquica todos os dias, de manhã e à noite, com absoluta confiança no valor do pensamento.

Fraternais saudações,

Pelo Centro Redentor.

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