Paciência e carinho

Sou caboverdiana, vivo há alguns anos em P., mas a minha família toda se encontra em Cabo Verde. Através de uma amiga que se encontra em Cabo Verde, descobri o vosso site que passei a consultar com regularidade e tem-me esclarecido muito. Gostaria de partilhar convosco um problema e saber se me podem dar algum conselho sobre esse aspecto.

A minha mãe, de 72 anos, desde sempre freqüentou o Racionalismo Cristão na ilha de S., mais propriamente no P., e ao que parece foi o que lhe ajudou a enfrentar muitos problemas que lhe foram surgindo ao longo da sua vida. Principalmente a nível familiar, pois o meu pai, sendo casado com ela (somos vários irmãos) fez outra família paralela com outra mulher ao mesmo tempo de quem teve mais filhos. Como devem imaginar, foram e continuam a ser anos muito difíceis para a minha mãe, que por muitas vezes pensou em abandonar o meu pai, mas não o fez alegando ter pensado sempre nos filhos e assim tendo sacrificado a vida inteira, (com muitas humilhações, violência psicológica e até física, a viver num meio muito pequeno) pois sozinha não podia educar os filhos. O tempo foi passando. Hoje, graças a Deus, somos todos adultos bem encaminhados na vida, cada um com a sua profissão. O meu irmão mais novo com 28 anos é o único que continua a estudar cá em P. A minha mãe, que apesar de tudo era uma pessoa muito ativa, sempre cuidou da casa, enfim do seu jeito era feliz, com saúde, e os filhos nunca lhe deram muitas preocupações. Só que de há uns 5 anos a esta parte desistiu de lutar. Com uma depressão que, apesar dos tratamentos, não lhe passa. Ela fisicamente apesar da idade não tem doenças. Só que convenceu-se de que está doente; há dias que não sai da cama, passa muitos dias sem querer tomar banho, e ultimamente não quer comer nem beber líquidos. Tanto é que ficou muito fraca e desidratada e os meus irmãos tiveram que a levar ao hospital durante uma semana para tomar soro e ver se ficava um pouquinho mais forte. O médico que a acompanhou disse aos meus irmãos que realmente o problema dela é psicológico. O problema é que S. é uma ilha rural muito pobre e não dispõe de um psicólogo. Teria que se deslocar à ilha mais próxima e ela nega-se a viajar. Também, desde que começou a ficar com a depressão, ela deixou de freqüentar a sessão do P. O Sr. L., o presidente, amigo pessoal dela, ainda insistiu que ela recomeçasse, mas ela nega constantemente. Gostaria que me ajudassem a entender o que se passa com ela, pois perdeu a vontade de viver, quase não se ri, adorava os netos, a mais velha de 13 anos tem boas recordações de criança ao lado da avó. Mas hoje tem mais dois netos de 3 e 1 ano que ela nem quer ver. Enfim, gostaria que me ajudassem a compreender o que se passa com ela. Pois os meus irmãos já não sabem que fazer e até há dias que perdem a paciência com ela. Gratos pela vossa atenção e espero não ter sido muito longa.


Depois de tantos anos de lutas e desilusões é natural entender que sua mãe fraquejou. É preciso ter muita paciência com ela e dar-lhe as maiores mostras de carinho possível, além de demonstrar grande respeito, principalmente por tudo que passou na vida.

Com os filhos todos bem encaminhados, graças aos esforços que ela despendeu no passado, ela deveria sentir-se feliz, com a certeza de haver cumprido com os seus deveres. Mas, o cansaço parece impedir-lhe de ver essa sua vitória perante a vida.

Sempre que possível converse com ela, sem insistir para que volte a freqüentar as sessões. Ela deve fazer isso quando sentir vontade. Mas, faça a limpeza psíquica no lar com regularidade. Diga-lhe para fazer as irradiações duas vezes ao dia: de manhã ao despertar e à noite quando for dormir.

Fale-lhe sempre dos filhos e nunca do marido.

Em assim agindo, mais cedo ou mais tarde ela reagirá, sem necessidade de se locomover para acompanhamento psicológico.

Sempre ao seu dispor, enviamos-lhe nossas cordiais saudações.

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