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Força e Matéria

Caruso Samel

Militante - Filial Butantã - SP

FORÇA

Neste trabalho, focalizaremos o conceito de Força, tanto do ponto de vista da Física quanto do ponto de vista da Filosofia, através dos tempos até os dias atuais. No primeiro enfoque, apresentaremos uma visão científica da Força e, no segundo, uma visão filosófica.

Visão científica da Força

Atualmente, sabemos que todos os corpos e substâncias são de fato combinações feitas de átomos, como previu Demócrito (460-370 a.C.), que, por sua vez, são compostos de numerosas partículas subatômicas mantidas juntas por somente quatro forças fundamentais da natureza, cujas intensidades aumentam na ordem em que se apresenta, a seguir:

A Gravidade é a força que mantém os nossos pés firmes junto à Terra e também que mantém ligados o sistema solar e as galáxias.

Se a força de gravidade pudesse ser interrompida de alguma maneira, de uma hora para outra, nós seríamos arremessados imediatamente ao espaço exterior a 1.700 km por hora. Além disso, sem a gravidade, o Sol, que se mantém unido graças a ela, explodiria em uma catastrófica erupção de energia. Sem a força da gravidade, a Terra e os planetas girariam para fora do sistema solar nas profundezas do espaço supergelado, e as galáxias se desintegrariam em centenas de bilhões de estrelas.

O conceito mais moderno de alguns físicos arrojados é que a gravidade resulta de uma deformação do espaço-tempo. Atualmente existe uma grande celeuma científica sobre o assunto (5).

O Eletromagnetismo é a força que mantém os elétrons da eletrosfera dos átomos ligados ao núcleo atômico com a energia de aproximadamente dez eletron-volts.

Esta força é responsável pela iluminação de nossas cidades e energização de nossos aparelhos eletrodomésticos. A revolução industrial e a eletrônica deram-nos as lâmpadas incandescentes e fluorescentes, a televisão, o telefone, o computador, o rádio, o radar, as microondas, o telefone celular, etc., todos subprodutos da força eletromagnética. Sem esta força, nossa civilização estaria estagnada há várias centenas de anos, renegada a um mundo primitivo iluminado à luz de velas e fogueiras. É fácil compreender que o domínio da força eletromagnética por James Clerk Maxwell (1831-1879) a partir do ano de 1860 revolucionou radicalmente o nosso estilo de vida. Para sentirmos isso basta ocorrer um blecaute, quando, por algumas horas, somos forçados a viver nossas vidas repetindo os hábitos de nossos antepassados dos últimos séculos. Anualmente, as estatísticas dizem-nos que mais da metade da riqueza industrial do planeta deriva, de um modo ou de outro, do uso da força eletromagnética. A civilização moderna, sem o uso da força eletromagnética, seria inconcebível (5).

A Força Nuclear Fraca é a força que controla o decaímento radioativo (radioatividade) dos átomos.

É a força fraca dos radioisótopos utilizados em equipamentos hospitalares modernos na forma de traçadores radioativos, que abriram as portas para a medicina nuclear. Neste sentido, a tecnologia de diagnóstico e tratamento permite produzir imagens do cérebro ao vivo, detectáveis em uma tela de computador, sendo possível observar o que se acredita ser o processamento do pensamento (não a sua geração) e das emoções (aqui também, não a sua produção) pelo decaimento do carbono radiativo do açúcar levado ao cérebro pela corrente sanguínea (5, 6).

A Força Nuclear Forte (5, 7) é a força que mantém os prótons e nêutrons unidos no núcleo atômico com uma energia da ordem de dez milhões de eletron-volts. É um milhão de vezes mais forte que a força eletromagnética.

É ela que dá o imenso poder ao Sol, e assim também a todas as estrelas, fontes inquestionáveis e inesgotáveis de energia. Sem a força nuclear forte, as estrelas tremeluzentes se apagariam e o espaço ficaria totalmente escuro. Sem o Sol, toda a vida na Terra pereceria e os oceanos congelariam. É a força nuclear do Sol que torna possível a vida na Terra. Esta força foi dominada pela moderna tecnologia humana e é ela a responsável pela geração de energia elétrica nas usinas nucleares, mas também, é ela que, ao explodir uma bomba atômica de hidrogênio, libera uma quantidade tão grande e devastadora de energia que pode ser comparada a um pedaço do Sol em queda sobre a Terra. A partir da descoberta da bomba atômica (1945) a história humana, pela primeira vez, enfrentou um novo e intrincado jogo de escolhas políticas, que poderia, inclusive, levar à aniquilação total de toda a vida na Terra. Com o conhecimento da força nuclear forte, nós finalmente pudemos entender e compreender a colossal máquina energética que existe dentro do Sol e das estrelas, mas também pudemos vislumbrar, pela primeira vez, o risco de se exterminar a humanidade.

Podemos afirmar, sem nenhum exagero, que o domínio de cada uma destas quatro forças fundamentais da natureza mudou toda a face da civilização humana nos últimos três séculos, principalmente no século XX. Por exemplo, quando Newton tentou resolver matematicamente a sua teoria de gravitação, por não haver condições de cálculo aplicáveis, foi forçado a desenvolver uma nova matemática (cálculo diferencial e integral), e formular as suas célebres leis da gravitação e do movimento celeste (5). Estas leis da mecânica, por sua vez, ajudaram na implantação da Revolução Industrial que ergueu a humanidade de milênios incontáveis de atraso, de trabalho opressivo e de miséria.

Portanto, é fora de dúvida que, sempre que os cientistas desvendaram os segredos de uma das quatro forças fundamentais da natureza, isto irrevogavelmente alterou o curso da história da civilização moderna. A história moderna nos confirma que algumas das maiores inovações científicas derivaram da compreensão e utilização gradual destas quatro forças fundamentais da natureza.

Submetidos que estamos aos ditames destas quatro forças fundamentais, cabe a esta altura perguntarmos: elas podem ser unidas em uma única superforça? Será que elas são as manifestações de uma realidade mais profunda totalmente desconhecida da ciência atual?

Continua

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