gazeta2.jpg (8041 bytes)

Cultura e mentalidade - Camilo Castelo Branco

Francisco Orge Basadre

A Ciência Histórica dá-nos o conhecimento aproximado que designamos verdadeiro da nossa cultura e mentalidade dos povos. Os povos, globalmente considerando, integram diversas sociedades. As sociedades estabelecem ligações entre si e por via disso, comunicam e trocam experiências, e, adquirem conhecimentos diversos com as trocas realizadas. Estudar a cultura e mentalidade dos povos, nos três últimos séculos, obriga e pressupõe um esforço das pessoas com estudos avantajado, profundo mas em generalidade, para que tenhamos o domínio mínimo, com um bom senso mínimo também, do que seja cultura Clássica, Neo-clássica, Enciclopedismo, Revolução Francesa de 1789, perceber o porquê do surgimento da Literatura Romântica numa sociedade em evolução, com todo um conjunto de consequências, sem prejuízo de um certo domínio particular e de especialidade próprio daquele que vive o presente detemos. Numa fase imediatamente a seguir, saltaríamos para outros tópicos que não prescindem dos primeiros antes apontados e muitos outros!... E nesse sentido teríamos de falar, como quem diz para aqui, escrever, para além de muitíssimo mais, sobre o papel e influência do Darwinnismo na sociedade das nações se relacionado com a selecção natural das espécies, sobre a família, sobre a mulher e o homem, no movimento emancipador da mulher, no feminismo, no anarquismo, na luta de classes decorrentes de uma sociedade em mudança numa sociedade que se pretende democrática a diversos níveis em particular, na sua eugenia social, em particular no período mais activo da Federação Internacional das Organizações Eugénicas e portanto na fase da alta expansão do pensamento eugénico internacional, sustentado por um vasto conjunto de biólogos da época com extremas repercussões no mundo jurídico e médico de então, e, a par de um outro movimento correlativo higienista social, com a sua consciência higienista, requerida pelo neo-malthusianismo!..... Note-se, porque importa saber que, na perspectiva Darwiniana a igualdade de aptidões mentais entre o homem e a mulher não era afirmada a priori, ao contrário daquilo que postulava o movimento emancipatório da mulher.... Darwin não sustentava o dogma, segundo o qual " o cérebro não tem sexo", na expressão lapidar de Azevedo Gneco. Ao falarmos destes temas, destes assuntos ainda, traríamos à colação figuras históricas da época, tais como, para além do já referido Darwin, Lamarck, Lombroso, Le Dantek, em Portugal Júlio de Mattos no seu relacionamento com Miguel Bombarda e tantíssimos outros tal o seu número e qualidade!....

Falar em Camilo Castelo Branco, romancista, não podemos vê-lo dissociado da realidade que atrás ficou sumarissimamente descrita!.... Sendo como efectivamente era um espírito que fazia parte integrante da esteira fluídica do AS, tal verdade fundamentada no princípio de autoridade advem de quem o afirma. Tudo como se observa das figuras que constam das nossas obras, desse modo, não podia ele, Camilo, ignorar a sociedade do seu tempo, mas ainda, se considerado que fosse como é devido o seu "património" e acervo espiritual que então nessa fase detinha. Apesar de se suicidar, e da figura incontornável do suicídio, apesar disso e para além disso, não regrediu, nem podia assim acontecer. Justamente porque fazia parte da esteira fluídica antes apontada. Esse facto em si, permite-nos legitimamente alimentar aquela ideia de que ele própria já era de Plano Superior, tal como alguns outros o haviam sido antes, (e porque não no futuro outros) embora baixando, como é obvio, sujeito fiquem, apesar disso, às injunções terrenas a que como todo e qualquer ser inteligente não escapava e por isso não escapou. Esta forma de ver decorre cristalinamente de uma leitura atenta das nossas obras e em particular daquelas que designamos e consideramos clássicas. É desse modo que se observa o que seja evolução e progresso... que neste caso não acontece, dá-se estagnação tão só no plano a que pertencia. Mas mesmo assim, a este propósito, de algum modo já muito foi dito em sede de outras fontes doutrinárias.... Bastaria que se estudasse os assuntos porque eles estão para se estudar, porque existem, não se tratassem estas coisas de coisas sérias da vida!

O Racionalismo Cristão, como filosofia e ciência que é, tem e vive uma determinada cultura e mentalidade que lhe é própria, que lhe é específica, atentos um conjunto de valores e de normas que o informam!... Mas, por isso mesmo, vamos continuando a dizer concitando ao estudo. Maria Cottas, para além doutros já o fizera pela sua vez. Nos seus discursos, lembra-nos a dado passo, a páginas 9 e 10, tocando de leve no feminismo, na emancipação da mulher, dizendo o significado disso tudo, tecendo as convenientes e oportunas considerações!... Mais refere ainda a necessidade de Instrução e estimula que isso aconteça... Era um espírito imbuído de ideias democráticas de ensino, defensora do ensino Universal, independentemente de sexo, raça, credo, religião Escreve e maravilha-nos com poesia, prosa em Francês!

... Não caminhamos em Unidade porque esta, temos de entendê-la como sendo o que efectivamente na realidade é, ou seja, uma simples e mera construção, num ideal, ou seja ainda, obedece às leis da evolução e do progresso. Mas a construção tem de supor o somatório das realidades que somos. Como em tudo na vida, mais do que "diz-se, diz-se" procedemos como "S. Tomé", de acordo com opinião do bom povo, ou seja, vamos ao local. Dai termos a noção real dos problemas e como corolário lógico tentamos perceber o "movimento" que enquanto RC executamos no mundo que nos envolve, e, sobretudo habilitamo-nos a perceber a conduta do nosso próximo na medida do possível.

Não sofremos, pensamos, de "degeneração sensitiva visual e intelectual" e por isso não alimentamos pensamentos de ter o benefício da dogmática jurisprudencial Superior... Por isso, não temos a pretensão de esgotar o tema. Têm a pena para escrever os estudiosos que escrevem neste meio e certamente alguns existem

. Camilo foi obrigado a escrever para viver... Escreveu muitíssimo e os seus livros expressam de alguma a sua própria vida...

. O ser humano tem de ser simples, modesto, verdadeiro em coerência de princípios e valores para consigo próprio a mais ainda no relacionamento com os outros, tudo no todo de que fazemos parte... portanto não com um pensamento exclusivamente e predominantemente dirigido para os outros. A realidade do Mundo pressupõe todos... Quem julgar o contrário, engana-se,

Ou então, dizia alguém "in illo tempore", fugir ao dever que o pagar é certo. Nisto temos a Verdade possível, na realidade do que somos e formamos agora, sempre em movimento através dos tempos!

Novembro de 2006

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo