
O aborto na visão materna
Eliane de Fatima Cardoso Ramos
Alcelina Lelis Cardoso
Disse o príncipe dos poetas castelhanos que "se o homem é um mundo
abreviado, a mulher é o céu deste mundo". Devemos acrescentar; e a
mãe, o sol deste céu. Como Sol, ela alumia, aquece, alegra, comove,
alenta, expande, acaricia, seduz, fascina, atrai. O que é o Sol
entre os astros, é a mãe, perante os povos, o ponto primacial da
vida, a fonte da família, a chave da sociedade. Mãe,
in Folhas Esparsas, Maria Cottas
Gravidez
Mãe é Mãe, e uma gravidez venha em que hora for sempre é bem-vinda
para uma mãe, porque qualquer um que queira utilizar o seu
livre-arbítrio para o mal, pode tirar uma vida, mas dar a vida, somente
uma mãe pode dar.
Num mundo onde o aborto vem acontecendo cada vez com mais e mais
freqüência, e visto com naturalidade na maioria das vezes, sendo até
provocado, ainda existem exceções: aquelas chamadas Mães de verdade. Aquelas
que jamais seriam capazes de provocar um aborto. E quando
sofre um espontâneo, sofrem duplamente. "Porque a dor do aborto é dupla".
A mulher que nega o ventre ao filho, nega a um espírito a oportunidade de
evoluir, nega uma chance de reencarnar, para juntos, se amarem,
superarem dificuldades e estreitarem laços de amizade e afeto, e
perde a preciosa oportunidade de dar à luz um espírito sedento de
evolução espiritual.
Quando acontece uma gravidez, planejada ou não, para mulher mãe
não existe hora errada. Essa mulher não consegue pensar em riscos, em
dificuldades, na saúde debilitada, problemas familiares ou
desemprego. Ela não pensa em nada além do ser que está gerando
dentro de seu ventre, do espírito que aguarda por uma encarnação e
que a escolheu como mãe.
E a partir deste momento, como se fosse um sonho, passam a existir
apenas duas pessoas no universo, ela e o ser que carrega em seu ventre.
A futura mamãe está plena de novidades: os enjoos, as
indisposições, dores na coluna, preguiça; seu corpo que se
transforma, por vezes chora, outras, ri. Tudo é muito bem-vindo.
Ela faz planos, se questiona menino ou menina? Mas o que realmente
lhe importa é que nasça e seja bem-vindo!
A perda de um sonho
A perda de um bebê que não chegou a nascer é normalmente a perda de
um sonho. E a mulher sente intensamente a dor dessa perda .
Quando acontece um aborto espontâneo, seu sonho se desmorona,
Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas
também psicológica, acima de tudo, vida, por isso neste momento a
mulher se sente como se abortasse um pedaço de sua alma junto
daquele feto.
Ela sofre muito mais a dor emocional do que a física.
Esta situação deixa uma ferida aberta por muito tempo, deixa traumas
emocionais profundos, cortantes como a lâmina de uma espada que
fere, e demora a cicatrizar.
A sensação que a mulher tem é de uma profunda solidão, um sentimento
de fracasso.
Além de estar sendo vítima de diversas alterações hormonais devido
ao choque que sofreu, soma-se o estado emocional que a enfraquece
e debilita.
Quando uns encaram o aborto espontâneo apenas como uma rejeição da
natureza da mulher, a vítima vê como luto, pois solicita adaptações
tanto sob os aspectos individuais quanto emocionais.
Ela perde a perspectiva do futuro que vinha construindo em cima
daquela gestação, pois era ali que muitas vezes ela garantia a
possibilidade de realizar todos os sonhos e projetos que não conseguiu.
Ela se faz mil perguntas e não encontra nenhuma resposta. E a dor
está ali, presente no seu interior.
É um sofrimento que dura certo período de tempo e que em alguns
casos precisa até de ser acompanhado pela medicina.
Nesta hora, os sentimentos se confundem, e pode ser enorme, pode
conter desespero, culpa, raiva, frustração, abatimento, podendo até
chegar à depressão se esta mulher não tiver ajuda e esclarecimento
espiritual.
Como superar esta dor?
Somente o tempo poderá curar a dor deixada por um aborto espontâneo.
Só existe um caminho para a mulher: ela precisa despir o luto, por
só atrair tristeza e enfraquecer o espírito.
Neste momento há a necessidade de uma sustentação espiritual muito
grande, tudo que deve ser feito junto da mulher e pela própria
mulher são boas irradiações e esclarecê-la.
Um acompanhamento diário de estudos espirituais esclarecedores que
possam facilitar a compreensão do trágico acontecimento.
Neste momento em que a sensibilidade está aflorada após passar por
esta experiência, geralmente a mulher precisa falar, gritar, colocar
para fora sua dor, e alguém precisa ouvi-la. Segurar suas mãos e
ampará-la no sentido físico e emocional, e principalmente espiritual,
para que a mulher não perca as suas energias, a vontade de viver, e
consiga a força necessária para superar com coragem esta
desconfortável dor que só sabe o quanto dói, quem já sofreu em sua alma.
Dividir o fardo com alguém sempre ajuda em qualquer situação.
E muitas mulheres não têm ninguém com quem falar neste momento,
porque a maioria ignora esta dor, que precisa ser vista com muito
carinho e atenção.
Esquecer é impossível, mas superar é possível e o caminho está no
esclarecimento espiritual, na disciplina das irradiações. Para uma
mulher esclarecida, espiritualizada, isso se torna muito
mais fácil.
Por se tratar de uma dor, que não é só física, e quando é moral ou
emocional, o remédio precisa vir do espírito e este espírito precisa
ser esclarecido e forte para ultrapassar essa barreira e através das
irradiações, reabastecer-se dos fluidos nescessários para continuar a
sua jornada.
Só através da limpeza psíquica a mulher adquire a flexibilidade
necessária e nos ensinamentos recebidos dentro do Racionalismo
Cristão encontrará a maior fortaleza espiritual que o mundo Terra
já conheceu.
E maior que a dor, só a luz do esclarecimento espiritual com carinho
e amor.
Fevereiro 2009
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