
Regras de bem
viver 20
Caruso Samel
O valor dos meus direitos 2
Sei muito bem que é impossível raciocinar com as emoções de alguém, pois cada um
age como sente; porém, utilizarei a razão para tentar conciliar conflitos emocionais de
terceiros que me afetam diretamente.
Sei, evidentemente, que o que aconteceu no passado não pode ser modificado, mas muita
coisa pode ser feita no presente ou no futuro para remendar situações aflitivas do
passado, aplicando-se aqui o ditado "águas passadas não movem moinho".
Manterei segredo sobre vivências íntimas que tenha tido com alguém ou, ainda, sobre
revelações que me tenham sido feitas em virtude de amizade e confiança, guardando como
se fossem minhas tais confidências.
Não alimentarei desilusões e nem deixarei que se transformem em complexo de culpa, por
mais sérios que tenham sido ou venham a ser os abalos morais que me tenham envolvido,
procurando solucionar a contento qualquer pendência a respeito.
Sei que é uma terrível desgraça ser injustamente acusado por ato ou situação que
não pratiquei; porém, se isto me acontecer, procurarei me defender de cabeça erguida
com honra e dignidade e procurarei não perder essa batalha, pois sei que a verdade sempre
vence.
Terei sempre cuidado com as acusações falsas, pois estas poderão destruir toda a
minha vida de trabalho e dignidade, abalando a minha coragem e confiança em meus
semelhantes, se eu não as souber rebater com firmeza.
Sei que é muito difícil perdoar as ofensas que eu tenha recebido, mas não há
vantagem alguma em alimentar ressentimentos contra aqueles que foram desonestos comigo;
portanto, procurarei forças para retribuir o Mal com o Bem.
Sei, também, que não é fácil recuperar uma reputação abalada ou perdida e não
devo esperar conseguir isso logo de início, mesmo quando não tenha tido culpa e tenha
sido injustamente acusado ou condenado pelas leis e pelas opiniões de terceiros, visto
que a sociedade é muito cruel, estando sempre a criticar e condenar qualquer escorregada
ou tropeção.
Sei que para adquirir a estima e a amizade perdidas de antigos amigos não adianta
forçar; se fui inocente, se minha consciência está tranqüila, isso é mais importante
e cedo ou tarde será por eles reconhecido o meu verdadeiro valor, se forem verdadeiros
amigos.
Terei que reagir íntima e energicamente, se eu acreditar que fui tratado injustamente;
porém, com minha força interior sempre voltada para o Bem, procurarei entender a
mesquinhez e a fragilidade moral de meus acusadores.
Sei que, havendo escorregado, terei que reconhecer o meu erro; ainda que outros não
aceitem desculpas e considerem tal ato um sentimento de fraqueza, procurarei equilibrar-me
novamente, mudando completamente minha atitude mental e reconquistando minha
autoconfiança, reabilitando-me completamente e levando uma vida mais exemplar.
Sei muito bem que a única maneira de estar preparado para enfrentar a vida é através
da experiência direta; se alguém serve como um pára-choques para mim, isso me
enfraquecerá e desamparará quando o mesmo for retirado.
Por isso, manter-me-ei sempre sobre os meus próprios pés e, portanto, estarei sempre
disposto a enfrentar as conseqüências dos meus próprios pensamentos e atos, bem como,
terei força de vontade para dominar toda desgraça e erro que sobrevier, isto é, não
renunciarei aos embates da vida.
Finalmente, afastarei de mim tudo e qualquer pensamento de natureza sombria ou suspeita
que venha a ter e alimentarei sempre pensamentos elevados voltados para o Bem. Este é o
meu sustento espiritual.
A Razão, Dezembro/2001
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