Depoimento de um ex-alcoólatra

Hélio Gonçalves

PREFÁCIO

O objetivo desta autobiografia do Sr. Hélio Gonçalves é ajudar pessoas que têm vícios, principalmente do álcool, que não conseguem desvencilhar-se dessas perigosas condutas que formam pólos de atração de espíritos que perambulam pela atmosfera da Terra. Na Reunião Anual na Filial São Gonçalo do Racionalismo Cristão, em 17 de abril de 2004, o epigrafado teve a grata coragem de dar um depoimento sobre sua vida de sofrimentos e como conseguiu desvencilhar-se do vício do álcool. O Ilmo. Sr. Gilberto Silva, representando o nosso estimado Presidente Universal do Racionalismo Cristão Dr. Humberto Machado Rodrigues naquela reunião, elogiou muito o Sr. Hélio pela coragem e desprendimento com que falou dos seus erros do passado. Em conversa entre amigos, o Sr. Hélio confessou que a sua vida daria para fazer um livro. Foi quando tivemos a inspiração de escrever algumas páginas, já que ninguém do grupo é escritor e nem este trabalho tem objetivo literário. É um simples relato, e se resultasse em ajudar pelo menos uma criatura, este trabalho já seria gratificante.

Os amigos do Núcleo de Jacarepaguá

Os vícios

Nós somos o que pensamos. Os nossos pensamentos são como radios que transmitem e recebem vibrações através da ação do espírito. Quanto mais desenvolvidos os atributos espirituais de cada ser, maior é o poder do seu pensamento. Este pode estar em sintonia com ondas magnéticas do bem ou do mal. Se estiver em afinidade com algumas dessas correntes, atrairá para a sua assistência um ou mais espíritos. No astral inferior existem espíritos que adquiriram vícios quando encarnados e, para se saciarem, encostam nos encarnados também viciados, associando os seus gostos e os seus sentidos espirituais, tirando a vida anímica do indivíduo. Passam a sentir tudo, com se fossem encarnados, quando conseguem se justapor o seu corpo astral ao corpo físico do encarnado. Quando isto acontece, o viciado encarnado primeiro precisa desvencilhar-se desses espíritos, assistindo as sessões públicas de limpeza psíquica, no mínimo três vezes seguidas. E, paralelamente pedir ajuda a entidades especializadas e médicos por causa das seqüelas ainda existentes.

Este é um pequeno trabalho para aqueles que querem se afastar dos vícios. Porque todas as criaturas têm atributos dos quais precisam lançar mão. E o principal deles é a FORÇA DE VONTADE. E nós do Racionalismo Cristão temos obrigação de dar as mãos a essas pessoas, através de uma palavra amiga, de uma irradiação, de um conselho, uma orientação, tudo com a assistência ASTRAL SUPERIOR.

Minha infância

Nasci em 12 de novembro de 1932, na rua Retiro dos Artistas em Jacarepaguá, bairro da cidade do Rio de Janeiro. Sou filho de pais pobres. Só lembro da infância a partir dos 5 anos de idade. Estudei numa escola no Largo do Pechincha, em Jacarepaguá. Meu pai foi biscateiro durante muito tempo, por isso levávamos uma vida material muito sacrificada, pois ganhava muito pouco. Minha mãe faleceu quando eu tinha 7 anos de idade, foi quando começaram a manifestar-se fenômenos de mediunidade auditiva e de vidência. Somente espíritos inferiores me assistiam. Minha família se dizia católica, mas freqüentava o baixo espiritismo. A falta de esclarecimento sobre a vida espiritual dos meus familiares era evidente. Não sabiam da força do pensamento bem irradiado para afastar aquelas criaturas inconvenientes.

Depois que o meu pai se empregou como funcionário da Aeronáutica, passou a viver com uma senhora com sete filhos, que se juntaram aos meus dois irmãos, uma irmã e eu, o caçula da minha família. Eu confesso que era o mais rebelde de todos, porém acompanhava o meu pai em todos os momentos.

Meu sofrimento

Já aos 7 anos de idade, quando caminhava numa rua deserta ao lado da minha tia, em direção à casa da minha querida avó, deparei com um espírito do astral inferior que me assustou muito. Aquele fato me causou um trauma muito grande. Naquela idade, com pouca orientação educacional e falta de esclarecimento dos meus responsáveis, não tive como amenizar meu desespero. Imagine o sufoco ficar sozinho no escuro para dormir. Daquele momento por diante começou o meu sofrimento.

Aos 12 anos de idade, cansado de viver nas casas dos outros que me acolhiam, porque não me adaptei à nova família depois da morte da minha mãe, e tendo arrumado um emprego de carregador numa padaria, resolvi ficar independente e morar no próprio lugar do trabalho.

O Astral Inferior continuou a me atormentar. Nessa mesma padaria, vários fatos aconteceram, principalmente no quarto onde eu dormia. Uma força do mal me segurou pela cintura, cheguei a pedir socorro aos berros, tal era o meu medo, meu pavor daquelas coisas horripilantes, que não sabia da onde vinham, o que estavam querendo e nem tampouco o que eram, muito menos como afastá-las e ainda na pré-adolescência.

Passei fome, tinha dia que comia apenas um prato de sopa. Um rapaz de nome Eduardo, também solteiro, morando sozinho, companheiro de padaria e amigo, às vezes me cedia o seu prato de comida que dizia não querer. Trabalhei nesta padaria durante uns 4 anos, depois fui trabalhar em outra padaria em frente da estação ferroviária, todas no bairro de Oswaldo Cruz, no subúrbio da Cidade do Rio de Janeiro. Todos os patrões tinham confiança em mim, por ser sempre sério e honesto. Até as chaves das padarias me confiavam.

Aos 18 anos, fui servir durante um ano o Exército, na Escola de Instrução Especializada, em Realengo. Por tudo que passei, considerava aquela vida de recruta muito boa; simultaneamente, continuava meu trabalho na padaria. Depois que saí do Exército, me apaixonei por uma mulher casada. Logo me entreguei ao alcoolismo, pela minha própria fraqueza na época e incentivado pelos espíritos do astral inferior. Sentia falta de um lar, de uma família para me apoiar.

Ainda sem esclarecimentos espirituais, e sempre mal aconselhado, procurei centros onde praticavam o baixo espiritismo, onde me aconselhavam a desenvolver as mediunidades que eu já tinha: de incorporação, vidência e audição. Comecei erradamente a desenvolvê-las num terreiro de umbanda em Irajá, onde logicamente não encontrava paz nem tampouco alguma felicidade. Depois de algum tempo fui trabalhar num centro espírita em Caxias, o pior dos que já havia passado, pesado e de magia negra, fazíamos mal ao semelhante, praticávamos rituais em que homens e mulheres, juntos e nus, tomávamos banho, fumávamos charutos e bebíamos cachaça.

Já entregue ao alcoolismo, e conseqüentemente instrumento mediúnico do astral inferior, vivia como um louco, sem rumo e sem destino. Achava que o mundo tinha se afastado de mim, porém eu é que dava as costas para o mundo e para a felicidade. Às vezes dormia nas ruas sem necessidade, porque tinha o quarto da padaria. Aluguei um quarto no mesmo bairro, por volta dos 20 anos de idade e continuei trabalhando em padaria. Ingeria muita cachaça, achando com isso que iria amenizar meu sofrimento. Queria deixar o vício e quando alguém me indicava algum lugar, seja religião, ou qualquer outra entidade eu visitava aquele local indicado. Estive também em igreja evangélica.

Estava revoltado com tudo, desesperado e avassalado. Cheguei a tentar o suicídio. Pensava nisso o tempo todo. Em cima da passarela que atravessa a linha férrea, parei naquele percurso, esperando passar um trem para me jogar, mas não tive coragem. Obsedado, desconfiava de todos e tinha mania de perseguição. Quando alguém olhava para mim, achava que estava me julgando como malfeitor, entretanto era trabalhador e nunca fiz mal a ninguém. Dormi várias vezes em baixo da ponte de Oswaldo Cruz, local onde os malfeitores se encontravam ou jogavam suas vítimas no rio, porque era muito deserto. Uma vez fui convidado por um marginal a roubar. Apesar do vício da bebida e do cigarro recusei o convite, porque nunca pratiquei crime e nem usei drogas na minha vida.

Minha família continuava bem financeiramente, mas continuava a praticar o baixo espiritismo. Eu não queria aquela vida para mim, não aceitava o comando do meu pai, apesar de que ele conseguiu criar os outros filhos. Duas moças se formaram professoras e os outros trabalhavam ou estudavam.

Um fenômeno espiritual na minha vida

Até o meu tio falecer era um bom funcionário, disciplinado e honesto, que fazia suas economias e escondia em algum lugar, método muito usado naquela ocasião.

Un dia, eu estava deitado no quarto da padaria onde dormia, quase cochilando, quando vi alguém se aproximando de mim e era o meu tio que havia desencarnado e comunicou-me o local onde havia escondido uma soma em dinheiro, da economia durante anos. Este tio morava com a irmã e seu marido, que cuidavam do imóvel, dos objetos deixado pelo tio e não sabiam da existência daquele dinheiro. Até a aparição espiritual nem eu sabia. Ainda chocado com aquela história toda e ainda não acostumado com essas aparições, com medo, com aquilo tudo gravado na minha consciência, procurei a irmã e o seu marido, comunicando o fato acontecido e dando todas as coordenadas do esconderijo. Logicamente, o dinheiro que seria da irmã pelo direito hereditário, eles o pegaram sem terem me comunicado. Não revelaram o fato para ninguém. Contudo, compraram um imóvel em Nilópolis. Tal era a confiança que este tio possuía em mim, que quando estava quase à morte, ele estava irrequieto para falar comigo e morreu antes de eu chegar para visitá-lo. Queria ter dito sobre o dinheiro?

Como superei os sofrimentos

Depois de passar por todo esse sofrimento, já destruído, no fundo do poço, encontrei uma pessoa de nome Artenio, filho do Sr. Cardoso, militante da casa Chefe que já havia desencarnado. Ele foi alcoólatra também e ingressou na entidade "Alcoólatras Anônimos" (AA), grupo de pessoas dispostas a deixar o vício da bebida alcoólica, que se reúnem em depoimentos, ajuda mútua e força de vontade com objetivo único. Ficou meu amigo e me convidou para ingressar na AA. Ajudei a fundar um grupo deste em Oswaldo Cruz. Durante 15 anos freqüentava para ajudar, porque também já tinha parado de beber totalmente.

Os problemas espirituais continuavam, porque os espíritos inferiores, sabedores de nossas tendências, fazem tudo para voltarmos aos vícios e se a pessoa não tiver força de vontade e esclarecimento retorna negativamente. Foi quando conheci um senhor de nome Israel, que me levou para a grandiosa Doutrina RACIONALISMO CRISTÃO. Depois de tantas decepções, tantos convites a lugares ineficazes, relutei muito para aceitar tal convite. Apesar de tudo, aceitei. Hoje sei que houve o envolvimento daquele senhor com o Astral Superior, me envolvendo também.

Lá chegando, na Casa Chefe, notei imediatamente a diferença dos outros lugares que freqüentei. Muita paz, muita harmonia e amor espiritual entre as pessoas. Vi muitas luzes lindas e coloridas, já que era médium vidente muito desenvolvido. Estava limpo daquela sujeira astral inferior, havia tomado um banho Astral Fluídico Superior. Voltei lá várias vezes e me sentia cada vez melhor. E fui visitando outras Filiais, como Nova Iguaçu, Nilópolis e Vicente de Carvalho. Nesta última, encontrei o Sr. Antonio Alves, procurador daquela Filial, que ficou meu amigo. Diziam naquela Filial que ele era meu pai, porque agia como tal, dando todo seu apoio. Depois de um determinado tempo, conhecendo melhor a Doutrina, o Sr. Alves me convidou para trabalhar naquela Filial, porque tinha uma vaga de zelador. Trabalhei durante 15 anos limpando aquela Casa e durante a noite era militante da Doutrina, trabalhando no salão durante as Sessões Públicas.

Militei em quase todos os postos em Vicente de Carvalho. E era cada vez mais incentivado com o que via, principalmente pelos fenômenos psíquicos que ali testemunhava. Não tinha visto nada igual na minha vida. Só havia visto coisas horríveis. Passei a ver muitas luzes, lindas, brilhantes, de todas as cores, formatos e tonalidades. Vi também um amigo subir através da corrente fluídica formada pelo Astral Superior naquela Filial de Vicente de Carvalho. Ele trabalhou no portão daquela Filial.

Um dos fenômenos espirituais que também marcou na minha vida, foi quando ao sair da sessão da Filial de Vicente de Carvalho peguei um ônibus e saltei em Madureira para pegar outro para Oswaldo Cruz, quando deparei com uma confusão que um homem estava fazendo, possuído por espíritos inferiores. Muitos tentavam ajudá-lo e não conseguiam, foi quando pedi que todos se afastassem para logo a seguir agir com sacudimentos e irradiações. Como última ação do astral inferior, antes de deixar o corpo físico daquela criatura, fez que ele me desse uma cusparada no rosto.

Outro fato ocorrido, foi quando passava pela rodoviária de Madureira, avistei uma turma carregando uma mulher. Cheguei mais perto para me certificar do que havia ocorrido. Percebi que o mal era espiritual. Procedi do mesmo jeito anterior, com sacudimento e irradiação. Logo após tudo normalizado, afastei-me imediatamente para evitar conversas desagradáveis.

Sei hoje, pelos conhecimentos adquiridos dentro do Racionalismo Cristão, que estava errado ao agir daquela forma. O correto seria irradiar mentalmente sem me aproximar para não chamar atenção. Se não houvesse sucesso, ou não conseguisse me acalmar e acalmar o ambiente, afastar-me-ia imediatamente para que não me envolvesse naquele tumulto.

Atualmente me encontro no Núcleo de Jacarepaguá, que ajudei a fundar, desde a inauguração em 17 de junho de 2002. Eu e mais dois companheiros doutrinamos as sessões de segundas, terças, quartas e quintas-feiras, naquele Núcleo.

Conclusão

Se as criaturas quiserem deixar os vícios, tiverem força de vontade para tal, procurem uma Casa Racionalista Cristã, para assistirem no mínimo três sessões públicas seguidas. Depois, procurem saber na Casa Chefe e nas Filiais os dias e as horas certas para atendimento ao público. Nos Correspondentes e Núcleos, procurem o Presidente responsável. Todos eles os receberão com amor e carinho, dando conselhos, orientações e explicações sobre a Doutrina. E se fizerem aquilo recomendado por essas pessoas competentes, logo terão respostas aos seus anseios.

Depoimento do Sr. Hélio Gonçalves do Núcleo de Jacarepaguá na Sexta Reunião Anual de Militantes das Casas Racionalistas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro.

"O que me traz aqui, é para falar sobre alcoolismo. Este que está aqui já foi um tremendo alcoólatra. Mas, eu só vim conhecer o Racionalismo Cristão depois que eu exterminei aqui tudo. Primeiro, eu me recuperei nos Alcoólatras Anônimos (AA), e lá consegui ficar quinze anos. Mas, este depoimento é preciso que se diga, para que todos saibam que o Racionalismo Cristão é uma lição de vida, que o Racionalismo Cristão levanta corpos, que o Racionalismo Cristão faz com que a criatura se reerga, se levante e alcance o seu objetivo. E um dia eu fui convidado a vir ao Racionalismo Cristão, já com tanto sofrimento."

"Via coisas na minha frente, eu era atacado de tudo quanto era maneira. Então a minha vontade era beber para me livrar daquilo. Muitas das vezes me lembro daqueles fenômenos acontecidos com a nossa grande Maria de Oliveira, que ela conseguiu também levantar corpos através desse fenômeno espiritual."

"E um dia cheguei ao Racionalismo Cristão. Já tenho aqui nesta Casa, mais ou menos, como seguidor da Doutrina, quase quarenta anos. E quando cheguei aqui, levantei a minha cabeça."

"Eu era um trapo humano, até debaixo de ponte dormi. E cheguei ao Racionalismo Cristão e concluí a minha vida, me casei, construí uma casa, graças às Forças Superiores, estou com um bom salário de aposentadoria, tudo conseguido dentro do Racionalismo Cristão."

"Mas falo para muitas criaturas, alcoólatra não pode ser aceito dentro da nossa Casa, porque ele não raciocina, ele está entregue ao astral inferior, ele tem que se limpar para depois chegar aqui, para que o Astral Superior possa reerguer essa criatura. Assim aconteceu comigo!"

Palavras finais do Sr. Gilberto Silva, Digníssimo Conselheiro da Casa Chefe, na mesma reunião anual

"... Então, encerrando, eu queria enaltecer a figura de um cidadão que aqui esteve, que aqui deu seu depoimento. Porque ser racionalista cristão como o Wilson, ser racionalista cristão como o Gilberto, é muito fácil, nós nascemos em berço esplêndido. Quando nascemos, os nossos pais já eram racionalistas cristãos. Então foi muito fácil para nós, só aproveitamos a oportunidade, só pegamos - não sei se aqui vocês usam essa terminologia, mas lá no interior de São Paulo, dizemos: 'a gente pegou a rabeira'. Aqui no Rio de Janeiro - 'pegamos a carona'. Então, só soubemos pegar a carona certa."

"Agora, ser racionalista cristão vindo de situações difíceis, vindo muitas vezes de ambientes fanáticos, de perturbações das mais diversas, sem dúvida nenhuma tem que ser enaltecido."

"Então, eu queria encerrar pedindo uma salva de palmas para o Sr. Hélio Gonçalves! Parabéns seu Hélio!"

 

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